A disparidade entre os mercados emergentes e desenvolvidos no avanço do s-commerce

Não são poucas as estatísticas sobre o quanto os consumidores estão conectados hoje. À medida que o acesso à internet migra de estações fixas como casa, trabalho ou ambientes escolares para os dispositivos móveis, com conectividade a qualquer hora, abrem-se as portas para as marcas se engajarem com consumidores de diversas formas ao longo do caminho de compra e aproveitarem as ferramentas que estão surgindo, como as redes de social media, como elas já vêm fazendo. Como resultado, as plataformas de mídias sociais estão se tornando mais confiantes para monetizar seu alcance na experiência de compra, especialmente neste momento em que a base mundial de usuários de mídias sociais ultrapassa a marca de 2 bilhões. Cada vez mais, as vendas são inseridas no curso natural das conversas nas plataformas digitais em todo o mundo.

Embora essa convergência entre o social e os pagamentos tenha ganhado força primeiro na região da Ásia-Pacífico, sendo duplicada em outras partes do mundo apenas nos últimos anos, o s-commerce (social commerce) continua a se manifestar de diferentes modos dependendo de cada mercado individualmente. Existe potencial para que as plataformas de mídia social sejam utilizadas em possíveis benefícios de marketing e se tornem um canal vendas lucrativo. Os consumidores estão aos poucos migrando suas compras para esse novo canal, com 25% dos respondentes da consulta mundial online “Hyperconnectivity Survey” da Euromonitor International relatando já terem feito compras por meio de um site de mídia social. É importante notar que esses resultados refletem a população global mais ampla e que existem dois principais grupos extremos: aqueles com menos de 30 anos e os consumidores de mercados emergentes. Ambos os subgrupos têm mais propensão de se engajarem a marcas e fazerem compras pelas mídias sociais. Na verdade, três a quatro vezes mais os mercados consumidores como o da China e o da Índia relataram terem feito uma compra em uma rede de mídia social em comparação aos de mercados como o Reino Unido ou dos Estados Unidos. Em parte, a razão dessas diferenças geográficas se deve a onde o mercado está em seu ciclo de maturação de s-commerce; mas outro fator seriam as empresas envolvidas.

Itens Comprados via Plataforma de Mídias Sociais, por mercado: 2014

Itens Comprados via Plataforma de Midias Sociais por mercado 2014

Fonte: Euromonitor International, Hyperconnectivity Survey 2014

Um dos primeiros lugares em que as redes sociais e o comércio eletrônico se convergiram foi a região da Ásia-Pacífico. O cenário das mídias sociais chinesas testemunhou uma expansão crescente nos últimos anos.

Cada vez mais, mais usuários estão começando a dar uma abordagem prática e pragmática para o tempo gasto online. Empresas como Alibaba impulsionaram a convergência entre comércio eletrônico e as mídias sociais nesse mercado emergente. O gigante asiático da tecnologia possui um portfólio diversificado de negócios online e investiu em um marketing agressivo e em estratégias de preços. Para os consumidores chineses da classe média impulsionada pela moda, as mídias sociais se tornaram uma porta de entrada para as lojas focadas em descontos, especialmente em segmentos como roupas de luxo, acessórios e eletrônicos. Outro exemplo é o WeChat, um aplicativo de chat popular na China, que pode ser usado para conseguir um táxi, pedir comida por delivery, comprar bilhetes de cinema, pagar contas e até mesmo marcar uma consulta médica, tudo isso em um único aplicativo. Essa plataforma de mídia social direcionada para os consumidores chineses ilustra o mais avançado funcionamento que existe nas plataformas sociais em toda região da Ásia-Pacífico e também em relação a outras partes do mundo.

Dado que a demanda por compras nas mídias sociais é mais alta entre os consumidores chineses e que as companhias locais possuem o ciclo completo do s-commerce, implementá-lo tem sido um processo mais fácil para eles do que para outros, como os que estão no Ocidente. Em geral as empresas ocidentais de mídias sociais têm se mostrado menos confiantes na inserção de ferrramentas de compras, como também têm uma menor compreensão sobre o potencial para alavancar as mídias sociais no processo de engajamento do cliente para construir relacionamentos genuínos com os consumidores finais. Apenas nos últimos anos as empresas ocidentais, como Facebook, Twitter e Pinterest, começaram a fazer progressos voltados ao social commerce. O primeiro passo para muitas dessas plataformas foi incorporar os botões do tipo “compre agora” como uma maneira de transformar suas redes sociais em shoppings centers. Esse empenho dos players ocidentais de social media parece ser um dos dos principais motores para a maior propagação do s-commerce em 2016 e deve se somar ao sucesso do s-commerce na Ásia-Pacífico.