Soluções mobile e diversificação de serviços impulsionam e-commerce no Brasil

O Brasil é o maior mercado de e-commerce da América Latina quando se trata de compras remotas*, totalizando US$ 79,7 bilhões em 2020. A inclusão digital no Brasil foi liderada pela crescente penetração de dispositivos inteligentes na última década, principalmente smartphones, à medida que grande parte da população teve acesso à internet pela primeira vez usando um dispositivo inteligente em vez de um computador desktop ou laptop. Por seu forte apelo, é fundamental que as soluções de e-commerce no Brasil sejam responsivas e compatíveis com dispositivos móveis. Ainda assim, as compras remotas de e-commerce no Brasil estão longe da maturidade e ainda representam uma parte pequena dos gastos do consumidor quando comparadas aos territórios que alavancaram a digitalização de bens e de serviços desde o início – como os EUA, o maior mercado de compras remotas de e-commerce em todo o mundo (USD 1,7 trilhão).

Também é importante reforçar que as impressionantes desigualdades de renda do Brasil resultaram em acesso desigual à conexão de alta velocidade à internet e dispositivos inteligentes de última geração. Portanto, embora a inclusão digital seja um fato, também é verdade que grande parte da população, principalmente de classes menos abastadas, tem acesso precário ou limitado a serviços digitais de qualidade. Para esses consumidores, o comércio eletrônico de bens e de serviços tende a se limitar a compras no varejo, pedidos on-line de alimentos e bebidas e soluções de transporte individual por aplicativo.

Conveniência e o meio contactless ajudam a impulsionar as transações de proximidade

O e-commerce no ambiente de aproximação no Brasil está testemunhando um forte crescimento, já que a maior parte da rede de máquinas POS (sigla para Points of Sales, conhecidas como ‘maquininhas de cartão’) do país conta com a tecnologia Near Field Communication (comunicação por campo de proximidade). Por esse motivo, o crescimento nas transações por aproximação é impulsionado pela crescente conscientização e disposição dos consumidores em usar métodos de pagamento sem contato. Embora os estabelecimentos varejistas sejam líderes na oferta de pagamento por aproximação, a solução está se tornando mais difundida em outros ambientes, à medida que os consumidores se familiarizam com a tecnologia e a veem como uma alternativa digna de consideração em tempos de distanciamento social e preocupações de higiene relacionadas à transmissão do Coronavírus (COVID-19).

Além desse comportamento do consumidor, outras considerações têm contribuído para a adoção mais ampla dos pagamentos por aproximação no Brasil. Por exemplo, o limite de valor para transações por aproximação sem senha foi aumentado de BRL 50 para BRL 200, de forma a tornar o processo ainda mais conveniente para o consumidor. Além disso, os bancos têm feito esforços para substituir os cartões antigos por outros habilitados para NFC, bem como parcerias com players de carteira digital, como Apple Pay e Samsung Pay. Ainda no espaço das carteiras digitais, o player local PicPay é destaque no ambiente de proximidade por meio do incentivo de pagamentos por meio de códigos QR.

Fonte: Euromonitor Voice of the Consumer: Digital Consumer Survey, realizada entre março e abril de 2021; Q. Quais são as principais razões pelas quais você utiliza uma carteira digital? Escolha as opções que se aplicam.

Diversificação dos serviços disponibilizados online devem marcar o novo normal

A expectativa de que os brasileiros vão continuar a buscar soluções de e-commerce para demandas que normalmente realizariam por meio de experiências presenciais se mantém, uma vez que a vacinação em massa avança lentamente no Brasil e as medidas de isolamento social devem permanecer por um período prolongado de tempo. A digitalização está, portanto, progredindo para incluir uma gama de novos serviços no país, para além dos setores tradicionais, como o de varejo e viagens.

Embora as categorias citadas representem a maior parte do comércio eletrônico no ambiente remoto do Brasil, os consumidores locais estão se acostumando a gastar seu dinheiro online em serviços sob demanda, como alimentação, transporte individual, streaming de mídia e até mesmo serviços de beleza. Como resultado, espera-se que o comércio eletrônico no Brasil vivencie uma diversificação dos serviços disponíveis online para garantir que as conveniências que normalmente são desfrutadas fora do lar, como massagens e aulas de ginástica, possam ser desfrutadas nos domicílios.

Um exemplo dessa tendência é a Singu. Em agosto de 2020, a empresa de beleza e cuidados pessoais Natura &Co anunciou investimentos na Singu, que funciona como um hub digital para serviços de beleza sob demanda, como maquiagem, depilação, massagens, manicure, entre outros. O diferencial da Singu é ser um marketplace para consumidores que buscam serviços de beleza e cuidados pessoais em casa. Com o recurso Singu Now, os clientes podem ter um provedor de serviços de beleza profissional em casa em menos de 40 minutos.

Os consumidores anseiam por aquelas experiências que faziam parte de seus gastos discricionários habituais e que foram interrompidas quando começaram as medidas de isolamento social, como ir a salões de beleza, por exemplo. Portanto, o conceito e o modelo de negócios da Singu permitem que os consumidores continuem se distanciando socialmente enquanto desfrutam desse tipo de experiência, que normalmente só poderia ser desfrutada fora de casa.

Pagamentos instantâneos devem ajudar a impulsionar as transações no e-commerce

O PIX, sistema de pagamento instantâneo lançado pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2020, oferece aos consumidores e empresas um meio alternativo de pagamento que cobra nenhuma ou taxas baixas para a realização de transações digitais, sem a utilização de cartões financeiros. O PIX pode ser usado para transferências de dinheiro, pagamentos de contas ou compras de bens e serviços, e a transação é concluída instantaneamente.

Apesar de seu recente lançamento, o PIX ganhou força rapidamente entre os consumidores e estabelecimentos com conhecimento digital que buscavam alternativas de baixo custo aos arranjos tradicionais de pagamentos, e deve redefinir o cenário dos pagamentos digitais no Brasil nos próximos anos.

Olhando para o futuro, os brasileiros esperam não apenas que uma melhor qualidade de conexão se torne amplamente disponível, mas também que futuros desenvolvimentos em e-commerce remoto levem em consideração métodos de pagamento facilitados, seja ao comprar produtos ou fazer pedidos de serviço de alimentação, ou até mesmo pagar contas online. Nesse sentido, os players precisarão prestar muita atenção a um cenário em rápida mudança no varejo e no espaço de pagamentos para ter sucesso, valorizando a disposição cada vez maior dos brasileiros de experimentar o digital para trazer mais conveniência para suas vidas.

*Compras remotas incluem todas as compras, independentemente de o pagamento ter ocorrido online ou offline. Os pagamentos offline referem-se às situações em que um consumidor comprou o bem ou serviço online, mas pagou offline com dinheiro no momento da entrega ou pessoalmente na retirada, bem como o pagamento em um caixa eletrônico.

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