Os Inquilinos: Uma tendência de consumo em 2018

Uma nova geração de consumidores preocupada com a comunidade, que prefere o aluguel e os clubes de assinaturas está modificando a economia, tornando o consumo ostentoso algo do passado. A rejeição dos bens materiais em prol das experiências e um estilo de vida mais livre, que vem caracterizando os hábitos de compras dos Millennials nos últimos anos, é uma tendência que continua a se desenvolver e se espalhar. Ela está agora começando a afetar as gerações mais antigas: os Baby Boomers, que costumavam ser materialistas, agora querem diminuir despesas e simplificar suas vidas. Grandes nomes da economia compartilhada como Uber, Rent the Runway e Airbnb chegaram às grandes massas. Enquanto isso, novas e inovadores start-ups continuam surgindo para agradar aos Inquilinos.

Acesso, não posse

Consumidores com pouco dinheiro querem mais flexibilidade e liberdade em suas vidas e menos bagagem. Em vez de desejarem bens materiais, eles preferem o minimalismo e viver o momento. Isso significa não se prender a posses. Os Inquilinos querem acesso em vez de bens materiais, seja através de compartilhamento, troca, aluguel ou streaming.

A urbanização é outro impulsionador fundamental dessa tendência. Estima-se que 55% da população mundial habitava em de cidades em 2017, enquanto na década anterior este número era 50%. Por que se preocupar com um carro ou ter que acumular diversos pertences em um espaço pequeno quando você pode usar o Lyft ou SnapGoods?

A economia sob demanda também proporciona fluxos extras de renda à medida que os consumidores compartilham o que possuem, sejam habilidades ou produtos. A tendência cresceu para muito além do compartilhamento de caronas e casas para incluir todo tipo de serviços, desde pequenos trabalhos pessoais (TaskRabbit) ao aluguel de roupas, brinquedos, ferramentas, equipamentos esportivos e até cães (BorrowMyDoggy). Os dados da Euromonitor International confirmam isso: a porcentagem de consumidores que usam seus smartphones regularmente para utilizar serviços de streaming de música aumentou de 31% para 36% entre 2016 e 2017, sendo que grande parte do aumento aconteceu entre os consumidores mais jovens. A porcentagem dos consumidores que usam serviços de compartilhamento de caronas subiu de 14% para 19%, mas chegou a 27% entre pessoas de 15 a 29 anos de idade.

Acessibilidade, conveniência e sustentabilidade são fatores chave para o crescimento da economia compartilhada. As pessoas que têm estilos de vida agitados e cada vez mais volúveis continuam procurando maneiras de reduzir gastos, poupar tempo e viver livremente de uma maneira que seja também ecológica.  Um estudo do BCG Henderson Institute de 2016 sobre os consumidores nos EUA, Índia e Alemanha descobriu que os principais propulsores do uso de serviços de compartilhamento eram economia, confiança e acesso às recomendações dos outros usuários. Para responder o que os atraia na economia compartilhada, os fatores mais citados foram variedade, melhor qualidade e originalidade.

As empresas estão repensando seus modelos de negócios

Enquanto as empresas consagradas continuam prosperando, muitos empreendimentos mais novos estão crescendo rapidamente, especialmente em mercados emergentes (por exemplo, Didi Chuxing na China e Ola na Índia). Além disso, as start-ups continuam brotando em todos os mercados. Em novembro de 2017, o shopping center Westfield de Londres lançou um serviço de aluguel de roupas chamado Style Trial, recorrendo à consciência ética e frugal dos Millenials. A loja pop-up permite que os consumidores aluguem roupas e acessórios de estilistas por uma semana, que são emprestados pelas marcas gratuitamente e todos os rendimentos são destinados à caridade.

As grandes empresas estão sendo forçadas a repensar seus negócios para se adaptarem à mentalidade dos Inquilinos. Alguns estão aproveitando a economia compartilhada ao patrocinar ou investir em start-ups. O Citibank é o principal patrocinador do Citi Bike, um serviço de compartilhamento de bicicletas de Nova York. Em 2017, a Toyota investiu no serviço de táxis do sudeste asiático Grab, a Volkswagen no Gett de Israel e a Jaguar Land Rover no Lyft.

Para saber mais, baixe o nosso relatório sobre as 10 Tendências Globais de Consumo para 2018.